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‘BODAS DE SANGUE’ DE CARLOS SAURA É O FILME ESCOLHIDO DA NOVA EDIÇÃO DO “CINEMA FALADO” COM DIREÇÃO DE CAETANO GOTARDO E MARCO DUTRA

8 de novembro de 2016
BODAS DE SANGUE

Além do experimento cênico-cinematográfico, dirigido por Dutra e Gotardo, haverá o Curso “Literatura e Cinema – Um Diálogo Fecundo”, com José Geraldo Couto, Oficina “Roteiro de Adaptação Cinematográfica”, com Sabina Anzuategui, e bate-papo “Roteiro Adaptado no filme Hoje”, com Denise Fraga, Fernando Bonassi e Tata Amaral e mediação de Marina Person

CINEMA FALADO, projeto idealizado pelo Sesc Pompeia, que acontece de 11 a 24 de novembro, propõe uma investigação sobre a fala, enquanto discurso fílmico, a voz e o roteiro no cinema. Convidados para a segunda edição do projeto estão Caetano Gotardo (O que se Move) e Marco Dutra (O Silêncio do Céu), que levarão o filme de Carlos Saura, BODAS DE SANGUE ao limiar entre o cinema e o teatro. Neste experimento cênico-cinematográfico, destaque da programação, o filme tem seus diálogos originais suprimidos e substituídos por falas ao vivo executadas por atores em cena durante a exibição. Os atores convidados, Andrea Marquee, Antonio Salvador, Clarissa Kiste, Malu Galli e Marat Descartes, já costumam trabalhar com os diretores .

O projeto pretende uma investigação vertical acerca da fala no cinema, desde a escrita do roteiro, passando pelas escolhas da direção, culminando no trabalho do ator e incluindo até mesmo os desdobramentos políticos da fala enquanto construção narrativa e representação do outro realizada a múltiplas mãos.

BODAS DE SANGUE foi escrita pelo espanhol Federico García Lorca em 1932. A peça teatral é marcada pela centralidade e a precisão da escolha de palavras. Em 1974, também na Espanha, o grande dançarino de flamenco Antonio Gades criou um espetáculo de dança em que retirava as palavras da peça de Lorca e as convertia em uma narrativa pelo movimento. Alguns anos mais tarde, o cineasta Carlos Saura foi convidado a assistir não a uma apresentação do espetáculo de Gades, mas a um ensaio do mesmo. E foi a força desse ensaio que Saura decidiu tentar recriar em um filme, buscando dar conta não apenas da obra em questão, mas também, em suas própria palavras, “fazer um documento sobre a criação”.

Nas palavras de Caetano Gotardo e Marco Dutra, “convidados a participar do projeto ‘Cinema Falado’, no Sesc Pompeia, enxergamos nesse filme de Saura, lançado em 1981, um ponto de partida muito rico para pensar e discutir a presença da palavra no cinema. Em primeiro lugar, porque o filme parte justamente do exercício de retirar as palavras da obra original de Lorca. E nos pareceu muito interessante devolver algumas dessas palavras ao filme durante sua projeção. Colocar em atrito as duas obras, explorar as camadas infinitas entre o que se diz, o que se ouve, o que se vê, o que se sente. Além disso, como diretores de cinema que somos, temos uma admiração absoluta pelo apuro com que Saura constrói seu filme em planos precisos, montagem fluida e carregada de significados, construção sonora delicada entre a música e os ruídos, entre o bater de sapatos e palmas do flamenco e a respiração mais mínima dos bailarinos. Aproximar disso a presença física dos atores em cena e as palavras de Lorca ditas no momento presente da projeção, diante do público, nos parece uma maneira de dialogar com o fascínio de Saura pela ideia do ensaio, da criação que se dá a olhos vistos. E é esse um dos sentimentos que pauta nossa abordagem no experimento cênico-cinematográfico que estamos criando: cinco atores no palco, junto ao filme, em pleno processo de descoberta da relação entre as palavras que eles mesmos falam e as imagens e sons que se projetam no espaço do teatro.”

O projeto CINEMA FALADO inclui ainda uma expressiva programação paralela relacionada à fala no cinema e ao trabalho do roteirista e ao uso da voz.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

Experimento cênico | Bodas de Sangue falado ao vivo
A projeção de Bodas de Sangue (1981), primeiro longa da trilogia do flamenco de Carlos Saura, é acompanhada por atores no palco. No filme, Saura e o coreógrafo Antonio Gades partem da peça teatral de Federico García Lorca para criar, por meio da dança, da música e dos enquadramentos, uma narrativa sem palavras. Neste experimento cênico, os atores em cena, em interação com o filme, retomam a poesia do texto de Lorca na tradução de Cecília Meireles.

Direção do filme: Carlos Saura | 1981 | 70’ | Espanha, França
Direção do experimento cênico: Caetano Gotardo e Marco Dutra
Elenco: Andrea Marquee, Antonio Salvador, Clarissa Kiste, Malu Galli, Marat Descartes
Luz: Lara Cunha
Produção: Lara Lima

11, 12 e 13 de novembro, sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h
R$ 9,00 (trabalhador do comércio, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes); R$ 15,00 (estudante, servidor da escola pública, aposentado, pessoa com 60 anos ou mais, pessoa com deficiência); e R$ 30,00 (inteira).

Sobre os profissionais envolvidos:

  • Caetano é diretor, roteirista, montador e dramaturgo. Seu longa de estreia “O que se move” (2012) recebeu diversos prêmios de atuação incluindo o kikito de melhor atriz no Festival de Gramado. Em 2013, teve uma retrospectiva de todos os seus oito curtas-metragens realizada pela Cinemateca Francesa, em Paris.
  • Marco Dutra é diretor, roteirista, montador e compositor. Seu primeiro longa, “Trabalhar Cansa” (2011), parceria com Juliana Rosas, foi selecionado para o Festival de Cannes, na Mostra Un Certain Regard. “Quando eu era vivo”, seu segundo longa, estreou no Festival de Tiradentes e fez parte da seleção oficial do Festival de Roma. Seu último filme ‘O Silêncio do Céu’ integrou o Festival de Gramado deste ano.
  • Andrea Marquee é atriz e cantora. Participou de diversos espetáculos musicais e no início dos anos 2000 gravou “Zumbi”, seu primeiro disco solo. Participou da montagem de Cambaio, de Adriana e João Falcão. Nos últimos anos atuou em diversos curtas-metrangens e foi uma das protagonistas do filme “O que se move” de Caetano Gotardo.
  • Antonio  foi ator da Cia. Teatro Balagan, tendo atuado nos espetáculos “Tauromaquia”, “Západ – A Tragédia do Poder”,  “Prometheus – A Tragédia do Fogo” e na peça “Recusa”.
  • Clarissa Kiste atuou em diversos espetáculos teatrais, como os recentes “Dom Juan”  sob direção de William Pereira e “O Desaparecimento do Elefante” de Monique Gardenberg e Michele Matalon. No cinema, atuou em variados curtas-metragens e nos longas “Trabalhar Cansa”, de Marco Dutra e Juliana Rojas, “Carmo”, de Murilo Pasta, e “Super Nada” de Rubens Rewald.
  • Malu Galli atuou em diversos espetáculos da Companhia dos Atores, dentre os quais destacam-se “Melodrama”,  “Ensaio.Hamlet” e ”Gaivota – Tema para um Conto Curto”, todas de Enrique Diaz.  No cinema, atuou no curta-metragem “Areia” de Caetano Gotardo pelo qual recebeu diversos prêmios dentre os quais o Kikito de Melhor Artiz no Festival de Cinema Gramado. Na televisão, ganhou recente destaque ao trabalhar nas novelas “Três Irmãs”, “Tempos Modernos”, “Cheias de Charme” e “Totalmente Demais”.
  • Marat Descartes atou em diversos espetáculos teatrais dentre os quais destacam-se “Primeiro Amor”, peça baseada na novela de Samuel Beckett pela qual recebeu o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2007. No cinema atuou em vários filmes como “Trabalhar Cansa” de Marco Dutra e Juliana Rojas e “Super Nada” de Rubens Rewald.

Curso | “Literatura e Cinema – Um Diálogo Fecundo” com José Geraldo Couto
As aulas tratam de temas como as falsas ideias sobre adaptações literárias; o filme como tradução – de uma linguagem a outra, mas também de uma sensibilidade a outra, ou de uma época a outra, explorando as possibilidades de tradução da literatura para o universo do cinema.

16 a 17 de novembro, quarta e quinta-feira das 19h às 21h30
Espaço Cênico
R$ 25,00 | R$ 12,50 | R$ 7,50
Inscrições no atendimento das Oficinas de Criatividade a partir de 03/11, às 11h

Sobre o profissional envolvido:
Formado em história e em jornalismo pela Universidade de São Paulo – USP, José Geraldo Couto é crítico de cinema, jornalista e tradutor. Publicou, entre outros livros, André Breton, Brasil: Anos 60 e Futebol brasileiro hoje. Escreve regularmente sobre cinema para a revista Carta Capital e mantém uma coluna de cinema no blog do Instituto Moreira Salles.

Oficina | “Roteiro de Adaptação Cinematográfica” – Com Sabina Anzuategui
O curso apresenta aspectos estéticos e técnicas de roteiro utilizadas na adaptação de obras literárias para o meio cinematográfico. A partir da exibição de exemplos, são discutidas algumas questões: fidelidade à obra original, adaptação de enredo e personagens, diálogos e voz over.

18 a 19 de novembro, sexta-feira das 19h às 22h e sábado das 14h às 17h
Espaço Cênico
R$ 25,00 | R$ 12,50 | R$ 7,50
Inscrições no atendimento das Oficinas de Criatividade a partir de 03/11 às 11h

Sobre a profissional envolvida:
Sabina Anzuategui, escritora e roteirista, é autora dos romances “Calcinha no Varal” e “O afeto ou Caderno sobre a mesa”, roteirizou os filmes “Jogo das decapitações”, “Como Esquecer”,A Casa de Alice” e “Desmundo”, dentre outros, e colaborou ainda com os roteiros do filme “Quanto Vale ou é Por Quilo?” e da série de TV “Alice”.  Doutora em Audiovisual pela Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo – ECA/USP, Sabina é professora do curso de Rádio, TV e Internet da Faculdade Casper Libero.

Sessão comentada | “Roteiro Adaptado no filme Hoje” – Com Denise Fraga, Fernando Bonassi e Tata Amaral e mediação de Marina Person
Bate-papo sobre o filme, cujo roteiro é baseado no livro “Prova Contrária” de Fernando Bonassi, com a diretora e o escritor, participação da protagonista do filme, atriz Denise Fraga, e mediação de Marina Person.

24 de novembro, quinta-feira às 20h30
Teatro
Grátis. Retirada de ingresso com uma hora de antecedência.

Sobre os profissionais envolvidos:

  • Tata Amaral é diretora e roteirista, seu longa-metragem de estreia, “Um Céu de Estrelas” (baseado na peça de Fernando Bonassi) é considerado pela crítica como um marco da retomada do cinema brasileiro no anos 1990 e recebeu diversos prêmios no Brasil e no exterior. Seu filme “Hoje” (baseado no livro Prova Contrária, também de Bonassi) foi o grande vencedor do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2011.
  • Fernando Bonassi é escritor, roteirista, cineasta e dramaturgo. Publicou diversos livros dentre os quais “Um Céu de estrelas” e “Prova Contrária” (ambos adaptados para o cinema por Tata Amaral. É também um dos responsáveis pelo roteiro do filme “Estação Carandiru”, dirigido pelo cineasta argentino Hector Babenco e baseado no livro homônimo de Drauzio Varella.
  • Denise Fraga possui mais de vinte anos de carreira como atriz em cinema, televisão e teatro. Nos palcos, destacam-se seus trabalhos “Trair e Coçar é Só Começar” e “A Alma Boa de Setsuan” e “Galileu Galilei”. No cinema, atuou em diversos filmes como “Por Trás do Pano”, que lhe rendeu o kikito de melhor atriz no Festival de Gramado, dentre outros prêmios, e o longa-metragem “Pela Janela”.
  • Marina Person dirigiu o documentário “Person” e o longa-metragem de ficção “Califórnia”.  Na televisão, trabalhou na  MTV Brasil e foi apresentadora dos programas “Metrópolis”, na TV Cultura, “O Papel da Vida” no Canal Brasil, “Cinedrops” na Rádio Eldorado e “Marinando” em seu próprio canal no YouTube.

SESC Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia

Ed Rodrigues
Web Designer e designer gráfico workaholic. Apaixonado por cinema e ficção científica, colecionador de filmes, fã de Kubrick, Nolan e Tarantino e fundador desse site aí. Acompanhe minhas análises de filmes, toda semana terá 2 ou 3 filmes novos, uns bostas outros espetaculares, assim terá uma prévia antes de comprar seu ingresso ou perder seu tempo vendo no Netflix.

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